A Shine of Rainbows, o filme [2009]

A atmosfera da obra, escrita por Lilian Beckwith, apresenta um ambiente que parece estar nos anos 50 ou 60. Ambiente com lindas paisagens, vida simples que encantaria qualquer criança. Viver numa ilha, com barcos, focas, ovelhas e vasto ambiente para explorar.

Qualquer criança, especialmente se é uma criança órfã, com uma sensibilidade que a faz ter um comportamento diferente dos demais companheiros de orfanato e assim, ser a escolhida para sofrer os abusos típicos das crianças mais velhas.

O pequeno Tomas (lê-se Tomás) (John Bell) é escolhido por Maire O’Donnell (Connie Nielsen) para adoção e é levado à ilha que será seu novo lar. Sua escolha foi estudada, observada e, segundo ela mesma, foi uma escolha recíproca.

A escolha de Maire foi baseada em sua própria experiência. Em boa parte do filme, o pequeno Tomas não diz uma palavra sequer. Seu comportamento tímido e o silêncio da sua presença não ajudam muito a quebrar a relutância de Alec O’Donnell (Aidan Quinn), marido de Maire, em aceitar um filho que não seja dele.

Quando finalmente se comunica verbalmente, Tomas revela uma gagueira, o que faz Alec reclamar da escolha da esposa e mostrar o seu desapontamento.

Apesar da não aceitação de Alec, Tomas se apaixona pelo lugar. Com uma bela paisagem, a Corrie Island é apresentada ao garoto por uma mãe realmente apaixonada pela cultura e folclore locais, brincando, permitindo ao menino que fizesse aquilo que lhe proibiam naquele ambiente cheio de rigores e disciplina.

Não à toa, Tomas também se apaixona por seu novo lar e, ao se permitir algumas emoções, cresce em confiança, em si mesmo e em outros, adultos e outras crianças da ilha.

A obra é, sobretudo, a apresentação de relações que se estabelecem e mostram a evolução no amadurecimento de emoções e comportamentos. O que é complexo, no filme, mostra-se de forma simplificada e num tempo que talvez não agrade a quem prefira uma ação ou aventura, mas adequado ao filme que não demora a apresentar as soluções dos problemas e o desenvolvimento de cada ação.

Com direção de Vic Sarin, a excelente atuação da Connie Nielsen encanta. O John Bell, muito bom, com um timing excelente para suas expressões e Aidan Quinn, sem muito a acrescentar na atuação, mas com presença marcante.

O filme pode deixar o encantamento provocado no Tomas quando ele viu, pela primeira vez, o arco-iris na Corrie Island e que, segundo Maire, mais belo não há.

Os Miseráveis (Les Misérables), de Victor Hugo

Sempre curioso, e até mesmo fascinado, por contos e histórias que nos contam, ou passam de forma incompleta algumas pessoas experientes.
Dentre algumas destas histórias, o livro de Victor Hugo, me chamava atenção. Essa atenção, cada vez mais desperta, uma vez que esta obra servia de inspiração para compor personagens e roteiros em novelas, em palestras para comparar a conduta de algum personagem como a ideal ou não, em propagandas para mostrar um espetáculo que tenha sido exibido em teatros com sucesso…
No primeiro momento que tive oportunidade, li. Conheci, por minha própria leitura, a obra tão falada, encenada, usada como inspiração para outras tantas obras.
Gostei. Um tanto de personagens que, embora caracterizados em ambiente temporalmente distante de nós, muito perto pela sorte atribuída a cada um deles. Sorte no sentido de caminho construído por si mesmo para a vida ou decidido por outros.
Medos. Trapaças. Atitudes mesquinhas. Exploração. Armadilhas. Fugas. Amor. Altruísmo. Desprendimento. Compreensão. Mentiras. Bondade. Tudo isso é encontrado no livro. Como cada vocábulo desses não existe por si só, o personagem que os sentem ou acionam, ou atuam, desperta no leitor algumas emoções que, extrapolando um pouco, vai lembrar de várias situações que o farão comparar os sofrimentos alheios atuais, àqueles vividos pelos personagens.
Parece que o fato de o mundo girar faz com temas antiquíssimos sejam recorrentes na sociedade. Perseguição. Incompreensão. Preconceito. Estabelecimento de valores próprios como verdades absolutas . Julgamento.
Mas não deixa a esperança de lado, afinal, mesmo a vida real, que mostra o sofrimento pungente de muitos – que adia a felicidade para a qual o indivíduo vive, mostra também recompensa para muitos. Daí os sentimentos de poucos, mas que fazem a diferença. Desprendimento. Renovação. Arrependimento. Altruísmo.
Acredito que enquanto o tema se mantiver atual, esta obra ainda vai inspirar muitas outras. Que sirva, também, como espelho para as personas certas.