1984, de George Orwell

“Estamos vivendo num mundo onde ninguém é livre, no qual dificilmente alguém está seguro, sendo quase impossível ser honesto e permanecer vivo.” – George Orwell, The Road to Wigan Pier

1984 - George Orwell (Companhia Editora Nacional 2005)

Bom,o que motivou a leitura desta obra foi uma extrema curiosidade. Existe um filme de mesmo nome, desconhecido inclusive, de 1985, do mesmo diretor do conhecido “Il Postino” (O Carteiro e o Poeta), Michael Radford.

O filme tentou ser fiel ao livro mas não falarei do filme, falarei do livro e o seu conteúdo, muito atual, inclusive porque a cada verão uma nova edição do Big Brother Brasil chega às telas da Globo.

O título da obra é 1984, publicado em 1949, do ecritor George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) e tem neste livro sua mais célebre publicação. Como em suas outras obras, o autor pinta um quadro com a sua visão crítica da política, focando nos aspectos negativos dos regimes totalitaristas.

O criador do reality show Big Brother inspirou-se na obra de Orwell para elaborar o programa. O livro tornou-se uma “metáfora do mundo” porque, além da exposição voluntária a que algumas pessoas se lançam hoje me dia, existem tendências na inovação tecnológica atual que levam as pessoas a acreditarem que seja necessária a exposição para mostrar que elas existem.

Invasão de privacidade é a primeira e a principal característica a ser observada. O Grande Irmão observa cada passo de cada cidadão, através de uma Teletela e verifica se os cidadãos de Oceania são/não são ideocriminosos – aqueles que cometem crimidéia. Se eles praticam/não praticam o duplipensar…

No livro, as autoridades que até então governam – o Grande Irmão é a maior referência – tratam de (re)escrever a história a fim de manter sempre nos livros e noticiários uma “verdade” construída pelas mãos daqueles que têm a própria memória desconstruída – qualquer lembrança que não esteja registrada nos livros ou jornais, não existiu e a pessoa que a mantém pode ser um criminoso. Manipulam memória, destroem culturas, apagam pessoas…

A obra de Orwell é um manifesto político para que as gerações que conhecem o totalitarismo apenas como uma referência distante nas aulas de História entendam, através de situações hiperbólicas um processo de destruição social no qual a humanidade pode sofrer intensivamente. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, já diz a sabedoria popular…

Entender que existe uma conduta que a sociedade apresenta como correta, conduta esta que mantém o equilíbrio das relações sociais e que deve ser a bússola para todos os cidadãos – inclusive para aqueles a quem outorgamos o título e a função de autoridades – e que existe a necessidade de um poder que aplique a correção àqueles que se afastam desta conduta e, ainda, um equilíbrio entre esse poder e todas as outras forças que mantém a ordem na ocupação de cada espaço disponível para todos nós. Se um desses ocupa mais espaço do que deveria, inicia-se um caos – refiro-me aqui nao à desordem, mas à imprevisibilidade do resultado das ações que o desencadearam…

Criminosos morrem, autoridades morrem, jovens desaparecem…

Mas o Grande Irmão diz: “Guerra é Paz / Liberdade é Escravidão / Ignorância é Força”