Um Olhar do Paraíso (The Lovely Bones), o filme

Um Olhar do Paraíso, de Peter Jackson

Bem, escrever sobre um filme que traz temas tão críticos quanto a morte, pedofilia, vida após a morte é trazer à tona algumas opiniões que só se mostram se alguém perguntar com real interesse pelo assunto, no entanto, direi aqui algumas palavras que mostram a minha impressão desse filme.

Necessário dizer que ele é uma adaptação de um livro – The Lovely Bones, de Alice Sebold cujo título em português (Brasil) é “Vida Interrompida – Memórias de um Anjo Assassinado”.

Necessário ainda que seja dito que tem a direção do consagrado Peter Jackson (Senhor dos Anéis) e que isso deixa-nos com alta expectativa com relação ao todo do filme – sem falar que fazem parte do cast Susan Sarandon, Mark Wahlberg, Rachel Weisz e a jovem Saoirse Ronan.

Fui vê-lo esperando algo mas me deparei com outro, me surpreendendo com o tema tratado. O luto.

O filme é narrado pela jovem, que é assassinada no início do film,  e as ações de um lado ou do outro da vida (a vida dos pais ou da jovem que continua aparecendo e faz contato através de sonhos ou outros sinais) são desenvolvidas para apresentar ao público o grande amor da família  (do pai ostensivamente) dedicado àquela que se foi. Ela não consegue se desvencilhar da Terra e seguir adiante em sua jornada enquanto todos não se libertarem – vivendo o luto, descobrindo o seu assassino, acalmando o ódio da jovem assassinada e acertando a vida de todos que sentiram a sua perda…

Não tem originalidade no roteiro do filme. Mas a forma como o novo mundo da personagem é retratado deixa o encanto das imagens perfeitas, de um mundo perfeito. Ela viaja por este mundo, tendo por referência o gazebo no qual ela se encontraria com o seu amado a quem nunca houvera sequer beijado.

Os barcos engarrafados, um hobby em que ela e o pai mantêm um laço a mais, ganham proporções gigantescas quando a revolta do pai o leva a destruir parte destas construções e ela vê cada garrafa/barco flutuando no mar de seu mundo chocando-se contra os rochedos da praia…quadro espetacular.

A bola, brinquedo de outra menina, vítima do mesmo assassino, ganha as mesmas proporções das garrafas/barcos e flutua girando no mar, próximo a praia…linda imagem.

Mas, afora as belas imagens produzidas por computação gráfica, fica a impressionante forma como a personagem cresce e amadurece nesse período, descobrindo situações que a deixam feliz, por ser a felicidade de quem ela ama, ver o quanto o seu pai a ama, sua mãe e irmãos.

O seu desejo de vingança fica explícito quando grita de ódio com a intenção de que seu pai, ao descobrir o assassino, tenta persegui-lo para concretizar a vingança mas um mal entendido acontece e ele se torna vítima. Seu desejo de vingança arrefece…

A ideia da existência de um “lugar” onde possamos ficar antes de seguir adiante depois da morte é algo alentador…ou não.

Situações não resolvidas, deixar as pessoas amadas, desejos de vingança, ódio, apego a coisas ou pessoas são sempre os motivos que relatam pendências dos “mortos” na vida que deixaram e que impedem de prosseguir na vida que chegaram.

Embora tenha uns toques que levam a pensar que estamos vendo um suspense, o filme mostra um drama bem desenvolvido e bem narrado.  O amadurecimento da garota é visível. O sofrimento tambem. Embora esteja vivendo em seu mundo perfeito ela não enfrentou todos os medos.

Lições são apreendidas da vivência desta jovem… Espero que a prática não seja difícil.

Darwin e a evolução, do Paul Strathern

Darwin e a Evolução (em 90 minutos)

Darwin e a Evolução, do Paul Strathern (Jorge Zahar Editor 2001)

Encanta-me a curiosidade científica. Encantam-me os caminhos que seguem alguns cientistas para chegarem ao ponto que conhecemos de alguma teoria, muito bem fundamentada e consolidada pelo tempo. Charles Darwin é um desses.

Para chegar ao que ele apresentou ao público, Darwin trilhou diversos caminhos. Alguns bem aceitos pela família, outros nem tantos…

Estudou o que havia disponível sobre ciências que aparentemente não teriam nada a contribuir para o que pretendia ver, registrar em sua viagem, mas que tornou-se fundamental para o que ele deveria apresentar a humanidade.

Tentando aprender algo, fundamentou outro. Descobriu a ponta de um universo inteiro que só cresce à medida que novas descobertas possibilitam o aprofundamento em subtemas do tema maior – Evolução.

Importa que ele trouxe a sua grande contribuição para a humanidade e espero que tenhamos todos condições de compreendê-lo e também à sua teoria.

Alice no País das Maravilhas, do Lewis Carroll

Poster do novo filme de Tim Burton

Apesar da correria dos nossos dias, vez ou outra, em momento de descanso, leio obras que não sejam técnicas. Pelas áreas de interesse, busco algumas coisas que fogem ao óbvio.

Li algum tempo atrás uma obra de Lewis Carroll – Alice no País das Maravilhas. Era, na oportunidade, uma tentativa de enxergar algo mais do que a visão infantil que predomina ao se falar deste clássico da literatura infantil.

Li recentemente – entenda: férias de 2009 – Alice no País do Espelho. Uma continuação do anterior.

De vez em quando também vou ao cinema e, para minha surpresa, vi o trailer de um filme  que, inequivocamente, antes mesmo de o título aparecer eu sabia tratar de Alice no País das Maravilhas –  do Tim Burton.

O Carroll criava personagens peculiares em sua caracterização. Se deixarmos de lado o divertimento infantil e passarmos a uma análise mais acurada acerca de todos eles, perceberemos e nos divertiremos aos encontrar nossos amigos e outras pessoas bem representadas nestas obras.

Começando pela construção do texto que traz uma série de frases e comandos (instruções) lógicos, no seu sentido amplo, pela obviedade com que são ditos – e sendo emprestada a elas uma importância muito grande, pelos seus autores, por exemplo: “Comece pelo começo, siga até chegar ao fim e então, pare”.

Acho que poucos ouvem no cotidiano uma frase tão óbvia e tão logicamente construída, que a nossa reação é o riso na face e uma elaboração de diagnóstico daquele que a disse como um doente mental.

Uma pérola que vem sendo repetida por muitas pessoas, diz respeito de uma situação de dúvida da personagem principal – “Gato, qual o caminho correto? Depende Alice, para onde você quer ir? Não sei, estou perdida. Para quem não sabe onde quer ir, então qualquer caminho serve!”

Lewis Carroll é um pseudônimo para um religioso, professor de Matemática e Lógica que adorava contar estórias e resolveu divertir algumas crianças que ele conhecia, criando as conhecidas obras às quais me refiro.

Analisando os diálogos e situações nos quais se envolvem as personagens das obras citadas, vamos encontrar um gato extremamente cínico, de grande sorriso – forçado pela morfologia da raça escolhida pelo autor (com certo exagero é claro!). Cínico mas não menos interessante.

O Coelho Branco – presente no filme The Matrix, simbolizando o caminho que a personagem Neo deveria seguir para ser libertado (acordado no mundo real) da Matrix. A perseguição ao Coelho é o motivo da entrada de Alice no País das Maravilhas e toda a sua experiência nesse mundo fantástico, onde todas as coisas funcionam numa lógica muito particular e claro, naturalmente óbvia.

Fica aqui a lacuna das outras personagens, deixo-as para o seu divertimento o estudo de cada uma delas e identificação, em algum nível, com personas reais.

Abraço,

1984, de George Orwell

“Estamos vivendo num mundo onde ninguém é livre, no qual dificilmente alguém está seguro, sendo quase impossível ser honesto e permanecer vivo.” – George Orwell, The Road to Wigan Pier

1984 - George Orwell (Companhia Editora Nacional 2005)

Bom,o que motivou a leitura desta obra foi uma extrema curiosidade. Existe um filme de mesmo nome, desconhecido inclusive, de 1985, do mesmo diretor do conhecido “Il Postino” (O Carteiro e o Poeta), Michael Radford.

O filme tentou ser fiel ao livro mas não falarei do filme, falarei do livro e o seu conteúdo, muito atual, inclusive porque a cada verão uma nova edição do Big Brother Brasil chega às telas da Globo.

O título da obra é 1984, publicado em 1949, do ecritor George Orwell (pseudônimo de Eric Arthur Blair) e tem neste livro sua mais célebre publicação. Como em suas outras obras, o autor pinta um quadro com a sua visão crítica da política, focando nos aspectos negativos dos regimes totalitaristas.

O criador do reality show Big Brother inspirou-se na obra de Orwell para elaborar o programa. O livro tornou-se uma “metáfora do mundo” porque, além da exposição voluntária a que algumas pessoas se lançam hoje me dia, existem tendências na inovação tecnológica atual que levam as pessoas a acreditarem que seja necessária a exposição para mostrar que elas existem.

Invasão de privacidade é a primeira e a principal característica a ser observada. O Grande Irmão observa cada passo de cada cidadão, através de uma Teletela e verifica se os cidadãos de Oceania são/não são ideocriminosos – aqueles que cometem crimidéia. Se eles praticam/não praticam o duplipensar…

No livro, as autoridades que até então governam – o Grande Irmão é a maior referência – tratam de (re)escrever a história a fim de manter sempre nos livros e noticiários uma “verdade” construída pelas mãos daqueles que têm a própria memória desconstruída – qualquer lembrança que não esteja registrada nos livros ou jornais, não existiu e a pessoa que a mantém pode ser um criminoso. Manipulam memória, destroem culturas, apagam pessoas…

A obra de Orwell é um manifesto político para que as gerações que conhecem o totalitarismo apenas como uma referência distante nas aulas de História entendam, através de situações hiperbólicas um processo de destruição social no qual a humanidade pode sofrer intensivamente. Nem tanto ao mar, nem tanto à terra, já diz a sabedoria popular…

Entender que existe uma conduta que a sociedade apresenta como correta, conduta esta que mantém o equilíbrio das relações sociais e que deve ser a bússola para todos os cidadãos – inclusive para aqueles a quem outorgamos o título e a função de autoridades – e que existe a necessidade de um poder que aplique a correção àqueles que se afastam desta conduta e, ainda, um equilíbrio entre esse poder e todas as outras forças que mantém a ordem na ocupação de cada espaço disponível para todos nós. Se um desses ocupa mais espaço do que deveria, inicia-se um caos – refiro-me aqui nao à desordem, mas à imprevisibilidade do resultado das ações que o desencadearam…

Criminosos morrem, autoridades morrem, jovens desaparecem…

Mas o Grande Irmão diz: “Guerra é Paz / Liberdade é Escravidão / Ignorância é Força”

Estou aqui mais uma vez…

Estive pensando…

O que faço depois que leio um livro não técnico?

Às vezes, quando tenho chance, faço um comentário ou outro acerca da obra lida, emitindo uma crítica sobre a profundidade do tema tratado, e é claro, fazendo uma analogia com o background, em termos de conhecimento, que guardo e traçando paralelos com outras áreas de conhecimento caso o meu interlocutor possa contribuir.

Se não tenho oportunidade de fazê-lo, fica uma vaga lembrança do que foi lido, uma vez que a tendência é esquecer a maior parte do conteúdo.

Com este blog eu pretendo exercitar minha capacidade de escrita… e falarei de obras literárias não técnicas e técnicas, filmes, música, fotografia…

E espero que os comentários possam contribuir para uma melhor compreensão daquilo que escreverei.

Auguri!!!