O Escafandro e a Borboleta [Le Escaphandre et le Papillon]

A cena inicial do filme é meio confusa. Algo enevoada, a imagem aparece, pisca, como se a lente que filma fosse o olho de alguém que se abre, após longo sono, confuso, tentando identificar o ambiente onde se encontra… e é.

Percebe-se que o filme se passará sob a ótica daquele que é a personagem principal e a ideia do diretor (Julian Schnabel) de fazer um filme na primeira pessoa, colocando o espectador como protagonista faz com a a narrativa dramática torne-se ainda mais dramática, considerando a situação peculiar desse personagem.

Viver o que é narrado, passo a passo, sentindo as dificuldades apresentadas, pensando com o narrador e sofrendo com ele as dores de não poder comunicar-se e entender que coisas simples como essa, que às vezes não damos o devido valor, são mais importantes do que imaginamos ser.

Após sofrer um acidente vascular encefálico – AVE (aka AVC), Jean-Dominique Bauby, editor da revista Elle francesa, vive sua vida com os olhos e as lembranças, alegres ou tristes, que guarda. Com os olhos, pois é a única parte do corpo que ainda consegue mover e um deles, cujo movimento está comprometido, deve ser suturado para evitar infecções. Ele fica com um olho apenas para ver e comunicar-se com o mundo…

Vive seus remorsos, pelas lembranças que visitantes trazem; por ações ou atitudes que levaram a decisões e a definições do curso de sua vida até aquele momento.

Ao receber a visita da mãe de seus filhos (2 meninas e 1 menino), sua ex-mulher, ele se lembra do quanto não a tratou bem. Lembra-se de quando começou a reaproximação com o seu pai, lembra-se…

Uma comunicação alternativa é criada e ele deve usar seu olho para esse fim. Vem aí seu primeiro pensamento externado: MORRER.

Mas essa ideia não permanece. Muda. E muda muito, tanto, que consegue pensar em o que fazer enquanto permanece no hospital: escrever um livro!

A narrativa é angustiante. Colocar-se no lugar do Jean-Do (como é chamado o Jean-Dominique), pensar e expressar suas ideias através de piscadelas de olho, para representar letras e formar palavras, daí formar frases e  pensamentos completos… Estar disponível para aprender com essa situação, perdoar-se pelos erros e continuar vivendo é algo grande, muito grande…

Ele viveu o suficiente para escrever o livro, que adaptado tornou-se o filme “Le Escaphandre et le Papillon”, uma produção franco-americana de 2007, dirigido por Julian Schnabel.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *