Primavera Silenciosa, da Rachel Carson

 

Tenho efetivamente os pés nas Ciências Exatas, Naturais e da Terra.

Enquanto fazia meu curso de Ciências, que estudei durante 5 anos – Biologia, Química, Física e Matemática, optando efetivamente por habilitar-me ao estudo mais aprofundado da Matemática Pura, fiquei fascinado por tudo que consegui apreender.

Mas cada tema estudado não deixou de fazer parte de mim. A Geologia que me faz entender melhor as explicações sobre os variados temas da Uranografia – solos, rochas, placas tectônicas, vulcões… A Ecologia que melhor ajuda compreender minhas relações com cada indivíduo que compõe o bioma que estou inserido… As Químicas Orgânica e Inorgânica que melhor faz compreender os efeitos dos compostos que fazem parte dos produtos que consumo, sejam eles alimentos ou remédios, utensílios domésticos ou material de trabalho e o que os seus resíduos podem resultar para o meio… A Física que me fez entender as consequências do uso ou abuso de energias disponíveis para realizar o meu trabalho no cotidiano, seja a energia elétrica disponível na tomada, seja a minha própria energia fornecida pelo alimento que consumo.

Ler esta obra da Rachel Carson me fez recordar destes tempos em que me motivavam alguns pensamentos de proteção do meio. De pensar antes de comprar um produto sobre a origem da sua matéria prima. De pensar em entrar para o Greenpeace…

Este livro fez 48 anos de sua publicação. Tem caráter revolucionário. Foi uma grande vitória de sua autora, que por amor à vida, em toda sua exuberante apresentação, defendeu as vozes dos pássaros, a fertilidade das flores e a continuidade da vida humana no planeta Terra.

Graças ao seu trabalho de investigação científica, este livro se tornou, segundo a Escola de Jornalismo de Nova York, uma das reportagens investigativas mais importantes do século XX. E ela o fez por amor à profissão, com persistência.

Graças a Rachel Carson os EUA deixaram de produzir o inseticida (que ela chamou de biocida) DDT e, anos mais tarde, outros países tomaram a mesma decisão.

Ela chamou atenção para o uso de novas tecnologias apresentadas pela ciência para resolver alguns problemas e que, sem um estudo prévio, causava problemas de outra natureza, talvez tão ou mais graves que os primeiros.

Prevaleceu, no primeiro momento, a decisão do poder monetário, do poder do renomado cientista que sintetizou a droga, do poder do interesse político e econômico… Mas não havia saída além daquela que ela apresentava.

Este livro apresentou fatos e ideias que colocaram na pauta de discussões nas universidades, na indústria química, nos sindicatos de trabalhadores rurais, nas entidades que se preocupavam com o meio, a preocupação na forma como a vida, seja ela em qual categoria estivesse, deveria ser preservada.

Foi ela quem tudo começou…

Rachel Carson consegue fazer-se compreender porque utiliza-se de uma linguagem acessível, trazendo associações com algo que nós já conhecemos.

Precisamos de mais pessoas como a Rachel Carson na atualidade. A ignorância que assola a sociedade faz com que indiscriminadamente continuemos a agir como se nenhuma consequência negativa seja originada do consumo excessivo do plástico e de energia elétrica, de nenhuma preocupação com o lixo, tanto que ‘pode’ ser descartado em qualquer lugar…

Em 2006, Rachel Carson foi colocada em primeiro lugar, pelo “The Guardian”, na lista das cem pessoas que mais contribuíram para a defesa do meio ambiente em todos os tempos.

Precisamos de mais pessoas como Rachel Carson. Precisamos de pessoas esclarecidas e que tenham coragem de falar, mas sobretudo, agir. Precisamos compreender melhor as nossas necessidades e, entender que devemos sempre usar, mas nunca abusar.

Enquanto não compreendemos, o que faremos?

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